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Sistema Circulatório Completo

 SISTEMA CIRCULATÌRIO

SANGUE

O sistema circulatório e seu componente fluído, o sangue, ligam o meio interno do corpo ao meio externo. O sangue transporta materiais entre estes dois meios e entre as diferentes células e tecidos do corpo.


O volume de sangue em homens e mulheres magros varia quase que diretamente com o peso corpóreo e em média é de aproximadamente 79 ml de sangue por quilograma de peso.

O tecido adiposo, entretanto, tem pouco volume vascular (irrigação) e o volume de sangue por unidade de peso decresce proporcionalmente ao tecido adiposo.

Em função da diferença entre a composição corporal masculina e feminina, bem como no tamanho do corpo, a variação geral de volume total de sangue é de 4 a 5 litros em mulheres e de 5 a 6 litros nos homens.

FUNÇÕES DO SANGUE

Como o sangue banha todo o corpo e supre todos os diversos tecidos, a maioria de suas funções está relacionada ao transporte.

Transporte de gases respiratórios: o sangue carrega oxigênio dos pulmões para as células do corpo e dióxido de carbono das células para aos pulmões.

Transporte de materiais nutritivos: dos órgãos digestivos para as células.

Transporte de excretas: das células do corpo para os rins

Transporte de produtos celulares:
transporte de hormônios para as células.

Manutenção da homeostase: através da regulação do pH nos tecidos.

Auxiliar na regulação da temperatura do corpo: proporciona meios para dissipar o calor

Proteção dos tecidos contra substâncias tóxicas estranhas ao corpo: através de células fagocíticas e anticorpos no sangue.

Prevenção de perda excessiva de líquidos:
através do mecanismo da coagulação.

Auxiliar na regulação do volume de fluído nos tecidos e seu conteúdo

CORAÇÀO

O sistema cardiovascular inclui o coração, que funciona como uma bomba propulsora para o sangue, e os vasos sangüíneos, que transportam o sangue através do corpo.

O sistema cardiovascular é um sistema circular fechado. Contido no coração e no interior dos numerosos vasos, o sangue percorre ininterruptamente um trajeto circular do coração às artérias, depois para os capilares, e em seguida para as veias, de onde retorna ao coração.

Normalmente, o sangue não deixa este sistema, embora uma porção líquida deste sangue atrevesse as paredes dos capilares para se juntar ao líquido entre as células que constituem os tecidos.

POSIÇÃO DO CORAÇÃO

O coração adulto é um órgão em forma de cone com o tamanho aproximado de uma mão fechada, e se localiza entre os pulmões, num espaço chamado mediastino, onde se situa obliquamente.

O coração é descrito como possuindo uma base, um ápice, faces diafragmática e esternocostal.

Base: a base do coração está voltada para cima, para trás e para a direita, ao nível da segunda e terceira costelas. Esta formada principalmente pelo átrio esquerdo, parte do átrio direito, e a porção proximal dos grandes vasos que penetram pela parede posterior do coração.

Êpice: da base, o coração se projeta para baixo, para frente e para a esquerda, terminando em ápice arredondado, que ocupa
o quinto espaço intercostal esquerdo, cerca de
8 cm da linha medioesternal.
Face diafragmática: é a região entre a base e
o ápice, que repousa sobre o músculo

diafragma. Ela envolve os ventrículos direito
e esquerdo.

Face esternocostal ou anterior: é formada principalmente pelo ventrículo e átrio direitos.

ENVOLTÌRIOS DO CORAÇÀO

Pericárdio: saco membranoso de parede dupla no qual o coração está contido.

Epicárdio ou pericárdio seroso visceral: membrana serosa com uma camada superficial de mesotélio recobrindo uma fina camada de tecido conjuntivo frouxo que adere
à superfície externa do coração.

Pericárdio seroso parietal: é formado por duas camadas; uma fibrosa externa, que o reforça e o fixa ao mediastino, e uma serosa interna, que reveste a superfície interna da camada fibrosa e é contínua com a camada serosa do pericárdio visceral.

Cavidade pericárdica: espaço entre as membranas serosas das camadas visceral e parietal. Essa cavidade contém líquido pericárdico que é secretado pelas células das membranas serosas do pericárdio. O líquido lubrifica as membranas, permitindo que elas deslizem uma sobre a outra com um mínimo
de atrito durante os batimentos cardíacos.

ANATOMIA DO CORAÇÃO

Para funcionar como uma bomba (de sangue),
o coração deve apresentar câmaras de entrada
e saída, valvas para direcionar o fluxo sangüíneo através destas câmaras e vasos para conduzirem o sangue do coração e para o
coração.


Vários vasos sangüíneos de grande calibre entram ou saem do coração pela sua base e margem superior.

Veia cava superior e veia cava inferior: trazem o sangue venoso do corpo para o átrio direito.

Artéria troncopulmonar direita e esquerda: levam o sangue do ventrículo direito para os pulmões.

Veias pulmonares: duas direitas e duas esquerdas; trazem o sangue do pulmão para o átrio esquerdo.

Artéria aorta: leva o sangue do ventrículo esquerdo para o corpo.

PAREDE DO CORAÇÀO



CÂMARAS DO CORAÇÃO

O coração consiste de quatro câmaras: átrio direito, átrio esquerdo, ventrículo direito e ventrículo esquerdo.

Os átrios são menores, e se localizam na região superior do coração. Os ventrículos são maiores, e constituem o principal volume do órgão.

Os ventrículos localizam-se inferiormente e formam o ápice do coração. O ventrículo direito forma a maior parte da face anterior do coração, e o esquerdo, a maior parte da face inferior e a margem esquerda.

Os átrios são separados pelo septo interatrial,
e os ventrículos, pelo septo interventricular.

VASOS ASSOCIADOS AO CORAÇÀO

O coração é formado principalmente por
músculo cardíaco, ancorado a um esqueleto fibroso. A parede do coração é constituída por
3 camadas: o epicárdio, o miocárdio e o endocárdio.

Epicárdio (pericárdio visceral): é uma membrana serosa muito fina, que adere à superfície externa do órgão.

Miocárdio: camada mais espessa do coração
e é constituída por músculo cardíaco.

Endocárdio: revestimento interno do miocárdio e é composto por tecido conjuntivo com uma camada superficial de células pavimentosas.

Dobras do endocárdio formam as valvas que
separam os átrios dos ventrículos œ as valvas atrioventriculares œ e os ventrículos da aorta e do tronco pulmonar œ as valvas arteriais, constituídas por válvulas semilunares.

O revestimento interno do coração é contínuo com o endotélio que reveste todos os vasos do corpo (artérias, veias e capilares).

O miocárdio varia consideravelmente em espessura de uma câmara para outra. A espessura está relacionada à resistência encontrada no bombeamento do sangue pelas diferentes câmaras.

A parede dos átrios apresenta a parte mais fina do miocárdio, uma vez que pouca resistência é apresentada para impelir o sangue para os ventrículos.

Os ventrículos, no entanto, devem impelir o sangue através dos vasos sangüíneos que se dirigem para o pulmão e todo o corpo, apresentando, desta forma, uma parede mais espessa do miocárdio.

Além disso, o ventrículo esquerdo, responsável pelo envio de sangue para todas
as estruturas do corpo, apresenta um miocárdio mais espesso do que o ventrículo direito.

Apesar da diferença na força do bombeamento entre os ventrículos, a quantidade de sangue deslocada é equivalente.

A superfície interna do miocárdio dos ventrículos é irregular, apresentando dobras e pontes denominadas trabéculas cárneas, projeções musculares em forma de cone conhecidas como músculos papilares, e cordões fibrosos resistentes chamados cordas tendíneas.

O miocárdio recebe abundante suprimento sangüíneo através das artérias coronárias direita e esquerda. Essas artérias originam da aorta logo que ela atravessa a margem superior do coração.

Qualquer estreitamento ou bloqueio das
artérias coronárias interfere no suprimento de oxigênio do miocárdio. Esta condição pode ser incapacitante ou fatal (ataque cardíaco).
Caso o bloqueio das artérias coronárias seja temporário, uma dor aguda no tórax é sentida, podendo irradiar para o membro superior esquerdo (angina de peito).

VALVAS DO CORAÇÃO

Existem dois grupos de válvulas que direcionam o fluxo sangüíneo através das câmaras cardíacas œ um grupo forma as valvas atrioventriculares e, o outro, constituído por válvulas semilunares, formam as valvas da aorta e do tronco pulmonar.

Valvas atrioventriculares (AV): localizadas entre os átrios e os ventrículos. São pregas do endocárdio com uma estrutura interna de tecido conjuntivo fibroso.
As pregas (cúspides) são ancoradas aos músculos papilares dos ventrículos, através das cordas tendíneas. Os músculos papilares impedem que as cúspides sejam forçadas para
o interior dos átrios quando da contração ventricular.

A valva atrioventricular direita que separa o átrio e ventrículos direitos, possui três pregas ou cúspides, e por isso em alguns casos denominada de valva tricúspide.

A valva atrioventricular esquerda apresenta somente duas cúspides, e por isso chamada de bicúspide ou mitral.

Ambas as valvas são forçadas para cima e se fecham quando da contração ventricular.

Valvas das artérias (semilunares): formadas pelas valvas do tronco pulmonar e da aorta. Impedem o retorno do sangue aos ventrículos após a contração ventricular.

A valva do tronco pulmonar se localiza na saída do tronco pulmonar e a valva da aorta,
na saída da artéria aorta.
Ambas estão formadas por três válvulas semilunares. Cada válvula semilunar
(cúspide) apresenta-se fixada às paredes dos vasos.

Quando os ventrículos se contraem, a força do sangue empurra as cúspides contra a parede do vaso e, quando os ventrículos se relaxam,
o sangue retorna e as preenche.

As cúspides se unem por suas margens livres
na luz do vaso, evitando desta forma o refluxo sangüíneo.

CIRCULAÇÃO ATRAVÉS DO
CORAÇÃO

Em função da separação das câmaras cardíacas do lado direito com as do lado esquerdo através dos septos (interatrial e interventricular), o coração funciona como uma bomba dupla. Cada uma possui uma

câmara de recebimento (átrio) e uma de propulsão (ventrículo).

A bomba do lado direito recebe sangue que vem dos vasos do corpo e o envia aos pulmões (através do circuito do pulmonar).

O sangue venoso chega ao átrio direito através da veia cava superior, veia cava inferior e do seio coronário.

Veia cava superior: traz o sangue da cabeça, tórax e membros superiores.

Veia cava inferior: recolhe e envia sangue do tronco, membros inferiores e vísceras abdominais.

Seio coronário: envia sangue das veias cardíacas anteriores que drenam o miocárdio.

Do átrio direito, o sangue passa para o ventrículo direito, que impulsiona o sangue para o tronco pulmonar e artérias pulmonares, até a rede de capilares dos pulmões (alvéolos). Nos pulmões o sangue deixa o gás carbônico
e recebe oxigênio.

A bomba do lado esquerdo recebe o sangue recentemente oxigenado nos pulmões através de duas veias do pulmão direito e duas do esquerdo.

Do átrio esquerdo o sangue passa para o ventrículo esquerdo e, deste, é impulsionado para a artéria aorta e desta para todo o corpo
(circuito sistêmico).

O lado direito e o lado esquerdo do coração trabalham em uníssono, ou seja, quando dos batimentos cardíacos, ambos os átrios se contraem, e em seguida, ambos os ventrículos.

O período compreendido entre o fim de um batimento ao fim do batimento seguinte é denominado ciclo cardíaco.

VASOS SANGÜÍNEOS


Após deixar o coração, o sangue entra no sistema vascular que está composto de numerosos vasos sangüíneos. Os vasos transportam o sangue para todas as partes do corpo, permitem a troca de nutrientes, produtos do metabolismo, hormônios e outras substâncias.

O tamanho dos vasos e a espessura de suas paredes variam de acordo com a pressão do sangue em seu interior.

Os vasos denominados artérias levam o sangue para fora do coração. Resistem a grandes pressões internas, quando comparadas aos demais vasos sangüíneos.
As artérias maiores se dividem em artérias menores, estas em arteríolas, e finalmente em capilares.

Com a progressiva transformação de artérias em capilares, há uma diminuição no diâmetro dos vasos, na espessura de suas paredes, na pressão em seu interior e na velocidade na qual o sangue os atravessa.

Os capilares convergem para vasos muito pequenos denominados vênulas, que por sua vez confluem para formar vasos maiores denominados veias.

As grandes veias retornam o sangue para os átrios do coração. Após o sangue deixar os capilares, sua pressão continua a diminuir, sendo bem menor próximo ao átrio direito do coração (veia superior e inferior).

A pressão venosa é sempre mais baixa que a pressão arterial, e as paredes das veias nunca são mais espessas que as das artérias de mesmo calibre.

ESTRUTURA DAS PAREDES DOS
VASOS SANGÜÈNEOS


A variação na espessura das paredes dos vasos sangüíneos se deve à presença ou ausência de uma ou mais da três camadas de tecido que as constituem, bem como, nas diferenças de espessura entre as camadas.

ANATOMIA HUMANA Ms. Douglas José Nogueira
ESTRUTURA DAS ARTÉRIAS

ARTÉRIAS ELÊSTICAS: grandes artérias
e seus principais ramos como a artéria aorta e tronco pulmonar. Suas paredes são compostas de três túnicas (íntima, média e externa).

A túnica média das artérias de grande calibre
e bastante espessa e contem, além de fibras musculares lisas, grande quantidade de fibras elásticas.

ARTÉRIAS MUSCULARES ou de
DISTRIBUIÇÃO
: são chamadas de artérias musculares as artérias de pequeno calibre, onde a túnica média consiste basicamente de
células musculares lisas, com poucas fibras
elásticas. São também chamadas de distribuição, pelo fato de conduzirem sangue através do corpo.

ESTRUTURA DAS ARTERÍOLAS

Quando o diâmetro de um vaso é menor que
0,5 mm, ele é chamado de arteríola.

As arteríolas possuem uma luz pequena e uma túnica média relativamente espessa, composta quase que completamente por fibras musculares lisas, com muito pouco tecido elástico.

As arteríolas desempenham um papel maior
na regulação do fluxo sangüíneo para os capilares.

Quando a musculatura lisa da túnica média se contrai, as cavidades internas, os lúmens (ou luz dos vasos) são obliterados, isto é, os vasos sofrem vasoconstrição, que limitam o fluxo sangüíneo para os capilares.

Quando a musculatura descontrai, a luz das arteríolas aumenta, ou seja, os vasos sofrem vasodilatação, que permite ao sangue entrar livremente nos capilar

ESTRUTURA DOS CAPILARES

Na maioria dos tecidos, a rede capilar contém dois tipos de vasos: metarteríolas, que

conectam diretamente arteríolas e vênulas, e capilares verdadeiros, que se ramificam e confluem para as metarteríolas.

Um anel de musculatura lisa denominado esfíncter pré capilar, normalmente circunda cada capilar verdadeiro no ponto onde ele se origina de uma metarteríola. A contração e descontração destes esfíncteres ajudam na regulação do fluxo sangüíneo através dos capilares.

Os capilares apresentam paredes muito finas, sendo portanto, o local no qual ocorrem trocam de materiais. A estrutura do capilar varia de um lugar par ao outro, mas de uma maneira geral, o capilar consiste de uma parede simples de células endoteliais envolvida por uma lâmina basal fina da túnica íntima. A túnica média e a túnica externa não estão presentes.

Embora um simples capilar possua cerca de
0,5 a 1 mm de comprimento e 0,01 mm de diâmetro, os capilares são tão numerosos que sua superfície total no corpo tem sido estima
em torno de 600 metros quadrados.

As substâncias podem entrar ou sair dos capilares por quatro caminhos possíveis: 1) através das junções comunicantes; 2) diretamente através da membrana celular; 3) no interior de pequenas vesículas com membranas; ou 4) através dos poros entre as células endoteliais.

ESTRUTURA DAS VÊNULAS

Nas vênulas próximas aos capilares, as paredes apresentam um revestimento interno composto de endotélio da túnica íntima, circundado por uma túnica externa muito fina.

As vênulas maiores, situadas mais afastadas dos capilares são envolvidas por uma quantidade pequena de fibras musculares lisas que formam uma túnica média fina.

ESTRUTURA DAS VEIAS


As veias que recebem sangue das vênulas, possuem as mesmas camadas das artérias, todavia, a túnica média das veias é bem mais delgada e possui poucas fibras musculares.

Algumas veias apresentam válvulas que direcionam o fluxo sangüíneo no sentido do coração. Essas válvulas são pregas da túnica íntima e possuem uma forma similar à das válvulas semilunares da aorta e tronco pulmonar.

Quando o sangue contido nas veias tenta retornar, as cúspides das válvulas se enchem de sangue, bloqueando o vaso.

As válvulas são mais comuns nas veias dos membros inferires, onde o sangue é conduzido contra a força da gravidade e o seu movimento depende amplamente da contração dos músculos esqueléticos situados ao seu redor.


CIRCULAÇÀO FETAL E NEONATAL

O sistema cardiovascular fetal é engenhosamente planejado para atender às necessidades pré-natais e permitir, ao nascimento, modificações que estabelecem o padrão circulatório pós-natal. Uma boa respiração do recém-nascido depende das alterações circulatórias normais que ocorrem após o nascimento.

Circulação fetal

O feto não respira e, portanto, o sangue fetal não pode ser oxigenado nos pulmões. Um outro órgão deve substituir os pulmões para que o feto receba adequado suprimento de sangue oxigenado; este órgão é a placenta. O sangue oxigenado retorna da placenta pela veia umbilical. Cerca da metade do sangue proveniente da placenta passa através dos sinusóides hepáticos, enquanto o restante é desviado do fígado e segue pelo ducto venoso para a veia cava inferior.

O fluxo sangüíneo que passa pelo ducto venoso é regulado por um esfíncter próximo
da veia umbilical, o qual impede a sobrecarga do coração quando o fluxo venoso é alto na veia umbilical.

Após um curto percurso na veia cava inferior,
o sangue penetra no átrio direito do coração. Como a veia cava inferior também contém sangue desoxigenado oriundo dos membros inferiores, do abdome e da pelve, o sangue que entra no átrio direito não é tão oxigenado quanto o da veia umbilical, mas ainda é um
sangue bem oxigenado.

A maior parte do sangue proveniente da veia cava inferior é dirigida pela borda inferior do septum secundum (um esporão, que mais

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tarde será o limbo da fossa oval), chamada crista dividens, para o orifício oval, penetrando no átrio esquerdo. O restante do sangue da veia cava inferior, cerca de 5 a
10%, o que é adequado, já que os pulmões não estão funcionando, mistura-se, no átrio direito, ao sangue proveniente da veia cava superior e torna-se, portanto, menos oxigenado. Este sangue é levado aos pulmões pelas artérias pulmonares e deles volta, sem ser oxigenado, ao átrio esquerdo. Uma parte do sangue, entretanto, é desviado para a aorta, antes de alcançar os pulmões através do ducto arterioso, que une artéria pulmonar esquerda à aorta. No átrio, o sangue proveniente do pulmão e do átrio esquerdo se misturam. Do
átrio esquerdo, o sangue passa para o
ventrículo esquerdo e, deste, para a aorta ascendente. As artérias do coração, cabeça, pescoço e membros superiores recebem sangue bem oxigenado. O fígado também recebe sangue bem oxigenado, oriundo da veia umbilical.

De 40 a 50% do sangue da aorta descendente passam pelas artérias umbilicais e retornam à placenta para reoxigenação. O resto do sangue vai suprir as vísceras e a metade inferior do corpo.

Observe o seguinte:

(1) O sangue que circula no feto é, no seu maior volume, uma mistura de sangue oxigenado e não oxigenado.

(2)O único sangue exclusivamente oxigenado que circula no feto o faz pela veia umbilical,
da placenta até o ponto em que desemboca na
cava inferior através do ducto venoso.

(3)A mistura de sangue oxigenado e não oxigenado é suficiente para o feto porque suas necessidades metabólicas são reduzidas.

(4)Como não há respiração pulmonar no feto,
os pulmões não estão expandidos e oferecem considerável resistência ao fluxo sangüíneo. O ventrículo direito trabalha contra esta resistência e contra a pressão da aorta, em virtude da comunicação entre a pulmonar e aorta, através do ducto arterioso. Deste modo
a parede do ventrículo direito é tão espessa

quanto a do esquerdo, ou mais espesso, antes do nascimento.

Circulação neonatal

Ajustes circulatórios importantes ocorrem no nascimento, quando cessa a circulação do sangue fetal pela placenta, e os pulmões do bebê começam a funcionar. O orifício oval, o ducto arterioso e o ducto venoso, que permitiam que a maior parte do sangue fosse desviada do fígado e dos pulmões, param de funcionar. Tão logo a criança nasce, os vasos umbilicais também não são mais necessários. O esfíncter no ducto venoso contrai-se, fazendo com que todo o sangue que penetra no fígado seja obrigado a passar pelos sinusóides hepáticos. A oclusão da circulação placentária provoca uma queda imediata da pressão sangüínea na veia cava inferior e no
átrio direito.

A aeração dos pulmões está associada à dramática queda da resistência vascular pulmonar, a acentuado aumento do fluxo sangüíneo pulmonar e a um progressivo adelgaçamento das paredes das artérias pulmonares. Este adelgaçamento das paredes das artérias decorre principalmente da sua distensão com a expansão dos pulmões, que, por sua vez, ocorre com os primeiros movimentos respiratórios. Devido ao fluxo sangüíneo pulmonar aumentado a pressão no interior do átrio esquerdo fica maior que do átrio direito. Essa pressão atrial esquerda maior fecha o orifício oval ao pressionar a valva deste orifício contra o septum
secundum.

A parede ventricular direita é mais espessa do que a parede do ventrículo esquerdo nos fetos
e nos recém-nascidos, porque o ventrículo direito vinha trabalhando com mais intensidade. Ao final do primeiro mês, a parede do ventrículo esquerdo fica mais espessa do que a parede do ventrículo direito, pois agora é o ventrículo esquerdo que trabalha mais. Posteriormente, a parede do ventrículo direito torna-se mais fina, devido à atrofia associada a uma carga de trabalho mais leve.

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O ducto arterioso contrai-se ao nascimento, mas há, com freqüência, uma pequena ligação sangüínea entre a aorta e a artéria pulmonar esquerda, que persiste por alguns dias. O ducto arterioso geralmente deixa de ser funcional nas primeiras dez a quinze horas após o parto, mas nos bebês prematuros e naqueles com hipoxia persistente, pode permanecer aberto por muito mais tempo. O oxigênio constitui o fator mais importante do controle do fechamento do ducto arterioso. Tal fechamento parece ser mediado pela bradicinina, substância liberada pelos pulmões durante sua inflação inicial. Aparentemente, a ação desta substância depende de um conteúdo elevado de oxigênio
do sangue aórtico, que resulta da ventilação
dos pulmões ao nascimento. Quando o PO2 do sangue que passa pelo ducto arterioso atinge 50mmHg, a parede do ducto se constringe. Os mecanismos através dos quais
o oxigênio causa a constrição ductal ainda não são bem compreendidos. Os efeitos do oxigênio sobre a musculatura lisa do ducto podem ser diretos ou mediados pelos seus efeitos sobre a secreção de prostaglandinas. O ducto do bebê prematuro responde menos
ao oxigênio.

Durante a vida fetal, a abertura do ducto arterioso é controlada pelo baixo nível de oxigênio no sangue que passa pelo ducto e pela produção endógena de prostaglandinas, que atuam sobre as células musculares do ducto, mantendo-as relaxadas. A hipoxia e outras influências mal definidas dão origem à produção das prostaglandinas E1 e E2, que mantêm o ducto aberto. Inibidores da síntese de prostaglandina, como a indometacina, podem provocar a constrição do ducto
arterioso aberto em bebês prematuros.

A mudança da circulação sangüínea do padrão fetal para o do adulto não é uma ocorrência súbita. Algumas mudanças ocorrem com o primeiro movimento respiratório, enquanto outras levam horas ou dias. Durante o estágio de transição, pode haver um fluxo da direita para a esquerda pelo orifício oval. Embora o ducto arterioso se contraia ao nascimento, via de regra ele permanece patente por dois ou três meses. O fechamento dos vasos fetais e


do orifício oval é, inicialmente, uma alteração funcional; mais tarde há o fechamento anatômico resultante da proliferação dos tecidos endotelial e fibroso.

Modificações ocorridas no nascimento

Logo após o nascimento, ou melhor, após a primeira respiração, as artérias umbilicais contraem-se para evitar que o sangue escape do corpo da criança. Gradualmente elas se transformam em estruturas fibrosas, os ligamentos umbilicais mediais. Por sua vez, a porção infra-abdominal da veia umbilical transforma-se no ligamento redondo do fígado, e o ducto venoso no ligamento venoso.

Estabelecida a respiração pulmonar, o sangue venoso é dirigido para os pulmões, para oxigenação, em substituição à placenta. medida que os pulmões se expandem, reduz-
se a resistência que opõem ao fluxo sangüíneo
e aumenta a pressão na aorta. Assim, no ducto arterioso, o sangue passa a circular da aorta para a pulmonar esquerda, isto é, ocorre um fechamento funcional do ducto. Em algumas semanas ou meses, processa-se o fechamento anatômico: ele se oblitera e passa a constituir
o ligamento arterioso, fibroso. Com o funcionamento pulmonar, aumenta o fluxo sangüíneo do pulmão para o átrio esquerdo, e assim, igualam-se as pressões dos átrios, direito e esquerdo. Mesmo que o forame oval não esteja fechado, a igualdade de pressões nos átrios impede qualquer fluxo significativo de sangue entre eles. Em algumas semanas ocorre o fechamento anatômico do forame oval: forma-se a fossa oval e o limbo da fossa
oval.

Finalmente, a pressão da circulação pulmonar cai para 1/5 da pressão da circulação sistêmica. Ocorre então a preponderância do ventrículo esquerdo: sua parede torna-se duas ou mais vezes mais espessa que a do direito.

O conhecimento da circulação fetal, do desenvolvimento do coração e dos vasos sangüíneos, das modificações circulatórias no nascimento e da fisiologia circulatória e respiratória, está na base da compreensão das malformações congênitas do coração.

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PRINCIPAIS ARTÉRIAS SISTÂMICAS

Região da aorta:
Artérias coronárias direita e esquerda
Artéria tronco braquiocefálica Artéria carótida comum esquerda Artéria subclávia esquerda
Cabeça e pescoço:
Artéria carótida comum direita Artéria carótide comum esquerda Artéria carótida interna
Artéria carótida externa
Membros superiores:
Artéria subclávia Artéria axilar Artéria braquial Artéria radial Artéria ulnar
Artérias do arco palmar profundo Artérias do arco palmar superficial Artérias digitais
Região do tronco:
Parte torácica da aorta
Tronco celíaco
Artéria hepática comum (fígado)
Artéria gástrica esquerda (estômago e p/ do esôfago)
Artéria esplênica (baço) Artéria renal (rim)

Artéria mesentérica superior (intestino delgado, colo ascendente e transverso do intestino grosso)
Artéria mesentérica inferior (parte do colo transverso, colo descendente e maior parte do reto)
Região pélvica:
Artéria ilíaca comum Artéria ilíaca interna Artéria ilíaca externa Membros inferiores:
Artéria femoral
Artéria profunda da coxa
Artéria poplítea
Artéria tibial anterior Artéria tibial posterior Artéria dorsal do pé

PRINCIPAIS VEIAS SISTÂMICAS

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Cabeça e pescoço: Veia jugular interna Veia jugular externa Veia subclávia
Veia braquiocefálica Veia cava superior Membros superiores:
Veia axilar Veia braquial Veia radial Veia ulnar Veia cefálica Veia basílica
Veia intermédia do cotovelo Região do tórax, abdome e pelve: Veia cava inferior
Veias hepáticas
Veia porta do fígado
Veia esplênica
Veia mesentérica superior Veia mesentérica inferior Veia renal
Veia ovárica (testicular)
Veia ilíaca comum direita e esquerda
Veia ilíaca interna Veia sacral mediana Veia ilíaca externa Membros inferiores:
Veia femoral profunda
Veia femoral
Veia safena magna
Veia poplítea
Veia safena parva
Veia tibial anterior e posterior
Veia fibular
Arco venoso dorsal
Digitais dorsais






O coração é um órgão essencialmente muscular: entre o epicárdio, que o reveste externamente, e o endocárdio, que reveste internamente, a massa muscular constitui o miocárdio. Os feixes de fibras musculares cardíacas inserem-se no esqueleto fibroso do coração, constituído por anéis de tecido conjuntivo (anéis fibrosos) que circundam os óstios valvares e arteriais.








CORAÇÃO E VASOS DA BASE
Observe, no cadáver e nos modelos, a cavidade torácica reconhecendo os órgãos nela contidos. Reconheça os pulmões direito e esquerdo e, entre eles, no mediastino médio, o coração envolvido pelo saco pericárdico: identifique o pericárdio fibroso e o pericárdio seroso identificando o folheto parietal e o folheto visceral ou epicárdio. Veja a posição do coração que está disposta obliquamente com sua maior porção situada à esquerda do plano mediano. Observe suas faces: esterno-costal, diafragmática e pulmonar ou esquerda. Fora da cavidade torácica posicione o coração anatomicamente, lembre-se que a artéria aorta ao sair do VE descreve uma curvatura para trás e para a esquerda.











Identifique os vasos da base do coração: o tronco pulmonar, que logo se bifurca em artérias pulmonares: direita e esquerda, a artéria aorta, o mais calibroso vaso da base do coração, que inicialmente dirige-se para cima (aorta ascendente) e depois para trás e para a esquerda, formando o arco aórtico onde pode identificar o tronco braquiocefálico, que se divide em artéria subclávia direita e artéria carótida comum direita, a seguir a artéria carótida comum esquerda. Na morfologia externa do coração, identifique, superiormente, a base e o ápice, os átrios, ventrículos e o sulco átrio-ventricular ou coronário, que demarca o limite entre os dois. Identifique os sulcos interventriculares anterior e posterior onde você pode observar a presença de veias e artérias coronárias. identifique as faces: esterno-costal, diafragmática e pulmonar ou esquerda.
Identifique a veia cava superior e a veia cava inferior que chegam ao átrio D juntamente com o óstio do seio coronário. Chegando ao átrio E identifique as veias pulmonares: em número de quatro, duas direitas e duas esquerdas, que conduzem sangue arterial proveniente dos pulmões. Identifique as aurículas direita e esquerda, que recebem esse nome por serem semelhantes ao pavilhão auricular.
No átrio direito identifique: a aurícula direita; os músculos pectíneos e a fossa oval e seu limbo que estão na parede do septo inter-atrial. Observe os óstios da veia cava superior, da veia cava inferior e do seio coronário.
No átrio esquerdo, identifique a aurícula esquerda e os óstios das veias pulmonares; observe que o óstio atrioventricular esquerdo é guarnecido pela valva atrioventricular esquerda (mitral ou bicúspide), constituída por duas válvulas ou cúspides, (anterior e posterior). No ventrículo direito, identifique os músculos papilares (anterior, posterior e septal), nos quais se prendem as cordas tendíneas, que partem das cúspides da valva atrioventricular; identifique o óstio do tronco pulmonar, guarnecido pela valva, constituída por três válvulas semilunares (anterior, direita e esquerda).







Em corações abertos, identifique os septos cardíacos, inter-atrial e septo inter-ventricular, que separa o coração em duas metades. No hemi-coração direito circula sangue venoso, e no hemi-coração esquerdo sangue arterial. Identifique, ainda, a comunicação entre átrio e ventriculo no qual estão os óstios atrioventriculares direito e esquerdo, guarnecidos, respectivamente, pelas valvas atrioventriculares, direita ou tricúspide, formada por três válvulas, e a esquerda ou bicúspide ou mitral, formada por duas válvulas.







Observe ainda os relevos da musculatura, denominados trabéculas cárneas (cristas, pontes e músculos pilares); e, a trabécula septo marginal ou feixe moderador.
No ventrículo esquerdo, identifique os músculos papilares (anterior e posterior), as cordas tendíneas, as trabéculas cárneas, e o óstio da aorta, guarnecido pela valva constituída por três válvulas semilunares (posterior, direita e esquerda).




































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